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Ricardo C. Cavalcanti Cremos que devemos começar dizendo da enorme satisfação de lhes entregar este Congresso Não vamos falar aqui das dificuldades que enfrentamos, das incertezas, das noites mal dormidas, do apoio de poucos e das incompreensões de muitos. Isto é coisa do passado. Hoje é um dia de alegria. Esperamos que este evento represente na realidade, a expectativa e o sonho de todos. Aqui está o Congresso. Ele pertence aos senhores e as senhoras. O Presidente do Congresso não será encontrado participando em nenhuma atividade da Programação Científica. Obediente às regras da boa hospitalidade acha que não devia tomar o espaço dos que dele necessitavam para expor suas idéias. Sobrenadamos na complexidade do Programa e por mais encantados e desejosos que estivéssemos em participar das discussões, dos questionamentos e das trocas das experiências, ficamos apenas no desejo e à semelhança do grande pássaro do Bagavad Giva nós “mergulhamos nas águas e voltamos á superfície sem molhar as asas”, Este é o Congresso que foi construído para os senhores e para as senhoras e nos cabe apenas o papel de preparar o palco, acender as luzes e abrir as cortinas. Este evento tem quatro vertentes. Na primeira alinhamos as contribuições à Sexologia Clínica e ao tratamento dos transtornos da sexualidade. Aqui se discutirá deste as novas fronteiras da terapêutica das disfunções sexuais aos temas da psicopatologia sexual. E aqui vale ressaltar o papel da psicoterapia e o papel da farmacoterapia, não excludentes ou competitivas, mas integradas na resolução dos transtornos e das dificuldades da vida sexual. Aqui é o campo daqueles que procuram aliviar o sofrimento do corpo e das dores do espírito. Zelar pela vida é o objetivo dos profissionais da saúde, mas é imperativo não esquecer que a vida é um produto do sexo. Faz algum tempo, Laing escreveu, com o sabor da ironia que “A vida é uma doença sexualmente transmissível, que tem cem por cento de taxa de mortalidade”. Seja como for, na vertente biopsicológica aqui está o Ministério da Saúde do Brasil que se faz oficialmente presente, sobretudo através do PN DST/AIDS, da Coordenação da Saúde da Mulher e do Adolescente e do Pacto para a Redução da Maternidade Materna e Neonatal. Na segunda vertente deste Congresso estão os temas educacionais. Aqui não se cogita mais do tratamento, mas da prevenção porque é pela educação que se previnem os descaminhos da sexualidade. É preciso se ter presente que no ponto mais profundo e medular da educação estão – ainda que muitas vezes ocultos por véus impenetráveis – o afeto, a sexualidade, os sentimentos e o amor. Por muitos anos os educadores se dedicaram ao cumprimento dos programas curriculares, ao apuro das técnicas da didática e das metodologias, mas esqueceram do ser humano como tal, e com ele da ternura, da sexualidade e dos sentimentos. É imperioso resgatar a essência do profundamente humano que há em toda relação educativa e recuperar a paixão e a ternura que devem acompanhar o aprendizado da vida e da sexualidade responsável. Não se pode pensar apenas na educação sistemática, mas na educação que se vive e se aprende em todas as instâncias que rodeiam a nossa cotidianidade. A educação da sexualidade deve recriar espaços de vida, ela deve ser como um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer... O Ministério da Educação do Brasil tem neste Congresso uma participação ativa, sem contar com as inúmeras contribuições que chegaram acerca da educação da sexualidade na família, na escola e em outras instituições sociais, incluindo veículos da mídia escrita, da mídia falada, computadorizada ou televisionada. Na terceira vertente agrupamos os temas antropológicos. Neste campo não se trata mais de tratamento ou de prevenção de transtornos, mas da promoção da saúde sexual; Aqui vamos falar de direitos sexuais e reprodutivos dentro da moldura dos Objetivos do Milênio. Aqui vamos discutir o absurdo das desigualdades, dos preconceitos raciais, dos sexismos, da ineqüidade de gênero e aqui a participação do governo Brasileiro é bastante expressiva com a presença de temas ligados as Secretarias de Política Pública para Mulheres, presente sua Excelência a Ministra e da Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, presente sua Excelência a Ministra.. Equidade sexual e equidade racial não são prerrogativas de um governo nem deve ser o apanágio de uma época. Elas representam o anseio do Estado Brasileiro independentes do tempo ou dos eventuais dirigentes. É Sra. Ministra Matilde na moldura desta cidade que tem o orgulho de sua negritude que fiz questão de abrir um espaço para os técnicos de sua Secretaria Nacional. E digo a Sra Ministra Nilcéia que em poucos congressos de sexologia se teve tanta preocupação em se tratar de uma maneira ampla e profunda das questões de gênero. É fundamental que unamos nossos reflexos e nossas reflexões e juntemos as peças dos vários mosaicos que compõem a sociedade, para que possamos estabelecer o mapa da posição social da mulher de ontem, de hoje e como desejamos que seja projetada a mulher do amanhã. Eu sinceramente espero que isto ocorra. E aqui se consubstancia a quarta vertente deste Congresso. Foi com uma enorme alegria que acatei a proposta que me fez minha amiga Deputada Sônia Fontes de trazermos para este congresso um conjunto de parlamentares mulheres, inicialmente as do Brasil, mas logo em seguida se agregaram as da América. Senhoras senadoras do continente, senhoras deputadas do continente americano, representações de parlamentares da maior parte dos paises latinos americanos, esperamos que a carta da Bahia que as senhoras irão elaborar, não seja mais um documento que possa ser esquecido antes que ocorra, ou que fique apenas encerrado em nossas mentes, para enfeitar o labirinto dos nossos pensamentos. Não se pode esquecer o futuro. O tema principal deste congresso é “com os olhos voltados para o futuro”. Estou certo que a Carta da Bahia será um documento construído para viver e não para ser esquecido – que seja um documento consistente para que possa sair do academicismo e através dele se construir coisas pragmáticas, leis que nos permitam, a nós técnicos, o apoio e o respaldo legal para que possamos cumprir nossa missão de promover o direito sexual e reprodutivo de todos e de todas. Este é o Congresso que a Comissão Organizadora imaginou e procurou, com sacrifícios, tornar realidade. Tive uma ajuda preciosa da Comissão Científica, de meu querido amigo Gerson Lopes. Vamos tentar fazer, com ajuda de todos, que cada sessão, cada participação, cada debate, seja um instante construtivo. Que o pensamento triunfe, mas que se condense em prática porque parafraseando Vitor Hugo quando se tem um pensamento construtivo e prático qualquer que seja a posição do corpo a alma está de joelhos. Déjenme ahora hablar un poquito para nuestros hermanos de Latinoamérica. Veo en la audiencia algunos jóvenes latinoamericanos que conozco, pero otros que todavía no conozco que vinieron desde Argentina, Uruguay, Perú, Bolivia, Colombia, Venezuela, Cuba y México, jóvenes que no conozco pero que leo en sus ojos la esperanza de que la sexología de Latinoamérica continuará viva después de nuestra partida. Veo también a los mayores a estos conozco todos y tengo afecto y respeto por cada uno. Son maestros de la Sexología , compañeros de muchas peleas, hermanos de ideas y de ideales. Que sean todos bienvenidos a Brasil, bienevidos a Bahia, bienevidos a Salvador que nosotros llamamos la tierra de la felicidad. Quiero compartir con ustedes la felicidad de mi tierra. Gracias hermanos y hermanas por su presencia. Ustedes no me faltarían. Nunca me dejaron solo. En esto Congreso yo decía, no hablare y me quedare en silencio para oírlos, aplaudirlos. Voy intentar ser un facilitador de vuestras ideas y me encantare en la imitación grandiosa de Unamuno que decía: “Lo que me propongo es agitar, es inquietar a las personas haciendo que ellas reflexionen acerca de las cosas que afirmo. Yo no sé cosechar el trigo, tampoco hacer el pan. Lo que vendo es solamente el fermento” Sean todos y todas Bienvenidos, Gracias. Obrigado . Ricardo Cavalcanti |